segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A inevitável dor de não ser apenas conceito. A necessidade constante de ter de existir, frivolidades insípidas - A vida que renego.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Deleuze:

Deleuze in L'abecedaire Deleuze

Q- Temos a impressão de a infância não ser importante.

A- Sim, claro. É quase em função de tudo o que acabo de dizer. Acho que a atividade de escrever não tem nada a ver com o que lhe é pessoal. Não disse que não se deve investir toda a sua alma! A literatura e o ato de escrever têm a ver com a vida, mas a vida é algo mais do que pessoal. Na literatura, tudo o que traz algo da vida pessoal do escritor é por natureza desagradável. É lamentável, pois o impede de ver, sempre o remete para seu pequeno caso particular. Minha infância nunca foi isso, não é que eu tenha horror a ela! Mas o que me importa, na verdade, é como já dizíamos: "Há o devir anomal que o homem envolve em si e o devir criança." Acho que escrever é um devir alguma coisa, mas também não se escreve pelo ato de escrever. Acho que se escreve porque algo da vida passa em nós. Qualquer coisa. Escreve-se para a vida. É isso, nós nos tornamos alguma coisa. Escrever é devir. É devir o que bem entender, menos escritor. É fazer tudo o que quiser, menos arquivo. Respeito o arquivo em si, neste caso, sim, quando é arquivo, mas ele tem interesse em relação a outra coisa. Se o arquivo existe é justamente porque há uma outra coisa. E, através do arquivo, pode se entender alguma coisinha desta outra coisa. Mas a simples idéia de falar da minha infância - não só porque ela não tem interesse algum - me parece o contrário de toda a literatura.

terça-feira, 29 de julho de 2008

signovazio

Restam ainda os pedestais que construimos com papel de estanho, fantasias longinquoas - inatingiveis - jamais as persegui - Eu, que nada anseio.

Ilusões desformes que desnudam o tédio, a única realidade se descontrói entre xícaras e horas gastas - Nada é meu, tudo é alheio, sou estrangeira em mim.

A busca pela identidade já está traçada no trajeto, horas me transfiguram, revolução - em mim - O eu, metáfora tosca da história do mundo que conheci.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Carta jamais enviada

Eis a carta que jamais enviarei a diretoria do cursinho, sobre minhas faltas:

Estou aqui para responder sobre minha constante ausência. Seria muito fácil lhes dizer que estive doente, que me entreguei ao cansaço, e por fim admitir que minha irresponsabilidade seja mais forte que minha vontade, mas são causas diversas, que tentei expressar sem sucesso, por viver com entes com perspectivas de realidade diversas a minha - se é que alguma exista, para mim.
Se pudesse tomaria uma medicação qualquer e admitiria que a vida faz sentido, que a luta pela construção de um mundo melhor me da a motivação existencial que hoje me falta, que tudo ficará bem, que não estamos aqui unicamente pelo acaso, criando ilusões para afastarmos o tédio e criando porquês fictícios para explicarmos o quão únicos somos, para então morrermos.
Fiquei então entre noites brancas e o desassossego, ou qualquer outro sonho lúcido, qualquer outro mundo em mim, qualquer outra realidade que esteja mais próxima do que esta que me é estrangeira. Meus transtornos e meus amigos imaginários, com o tempo me afeiçoei e hoje me são mais próximos que os três amigos que nem lembro como fiz.
Lição um: Misantropia.
Lição dois: Sobreviver a realidade.
Lição três: Ilusão.
Se fosse possível – talvez seja a tal da motivação existencial, que geralmente creio não possuir – iria para o alto de uma montanha – símbolo do isolamento.
Não quero mudar o mundo, não quero dançar creu, não quero gargalhar na sala chapado, não quero conversar com minhas amigas sobre meu caso na boate, não quero falar sobre minhas férias numa mansão com meu namorado, não quero fazer comentários sobre os frufrus, não quero saber quem é ou não é gay, não quero ir dançar ebm na thorns, não quero consumir um bando de inutilidades, não quero ir a churrasco nenhum, nem assistir o cretino do Tarantino, nem tenho paciência pra conviver com estas espécies de pessoas, ou com pessoa alguma, ou sequer comigo mesma.
E tem dias em que acordo sem querer acordar, sem saco para aguentar todas essas coisas que geralmente ignoro. E para quem não sabe se quer continuar a viver até o fim do ano, é um tanto complicado acordar e saltitar até o colégio.
(Mas não sou triste, nem suicida, sou apática e digo metaforicamente sobre a vida - Não é nenhuma tentativa lamentável de atenção, é apenas uma explicação, que achei que devia ao meu pai. Se alguém souber traduzir minha falta de objetividade a ele, fique a vontade, faria um bem para nossa família, talvez cheguemos até o patamar Doriana. Também não desejo que ele gaste dinheiro a toa com minha inação, quanto ao meu tempo, eu ainda não como poderia aproveitá-lo em uma vida palpável, nesta ou em qualquer outra.)
Sobre os sábados: Viva Baco, Bukowski e a ressaca!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A individualidade Moderna

Riu sozinho enquanto observo passarem repetidamente uns 10 tênis de lona branca, fabricados em série, que se crêem únicos.

Ah! Estes tênis brancos, estranha espécie.

Globalização

Lembro-me daqueles dias em que sentava com meu avô na varanda, tomavamos mate e ele me dizia coisas sobre o mundo - que um dia haveria de se tornar um só.
Lembro-me enquanto me sento em plástico desconhecido, em meio a gente que jamais voltarei a ver. Peço um mate - em terras que não possuem memórias como as minhas - e a impossibilidade da memória, e o sabor estranho as minhas recordações, e a vida que não reconheço como coisa real por fora - tudo me é estrangeiro - e sorrio e descubro Wittgenstein.

(Porque a diferença entre pensar e sentir uma idéia a transforma em coisas diferentes com o mesmo nome.)

sábado, 12 de abril de 2008

Saturday night

O pensamento de que muito se anseia, a certeza de que nada haverá de vir.
É desolador ter que escolher por opções do que não se deseja, é absurda a certeza de que tudo que se deseja não há, ou, ao menos, não há como ser – agradeço aos outros, que fizeram isto impossível, em um tom irônico que me faz rir, ao menos posso me divertir em minha companhia, escárnio triste de minhas frustrações.
Mas não, na verdade jamais teve graça, mas riu dolorosamente enquanto naufrago em mim.